Viajar de carro para outro país traz uma sensação de liberdade difícil de encontrar em outros tipos de viagem. Não existe limite de bagagem imposto pela companhia aérea, o roteiro pode ser adaptado durante o caminho e pequenas cidades que normalmente ficariam de fora podem entrar no percurso.

Mas existe outro lado dessa liberdade: o viajante assume boa parte da organização.

Documentos, seguros, autorizações, manutenção do veículo, regras de trânsito e planejamento financeiro precisam ser conferidos antes da saída. E alguns detalhes que parecem pequenos podem causar problemas justamente quando você já está longe de casa.

Quem pretende dirigir por Argentina, Paraguai, Uruguai ou Chile, por exemplo, precisa conhecer seguros específicos para circulação internacional de veículos.

Veja sete erros que devem ser evitados antes de começar uma viagem internacional de carro.

1. Achar que os documentos brasileiros são tudo o que você precisa

É comum pensar: “Estou com minha habilitação e com o documento do carro, então está tudo certo”.

Nem sempre.

Uma viagem internacional envolve as exigências do Brasil e também as regras estabelecidas pelo país de destino. Dependendo do local visitado, existem documentos e seguros adicionais relacionados à circulação do veículo.

Para viagens de carro por países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, um dos documentos que entram no planejamento é o Carta Verde.

A contratação do seguro Carta Verde online permite providenciar o seguro antes de iniciar a viagem, evitando deixar essa questão para o momento de atravessar a fronteira.

Já para o Chile existe outra exigência relacionada ao veículo estrangeiro: o SOAPEX.

Portanto, a documentação deve ser pesquisada de acordo com cada país que fará parte do percurso.

2. Pensar que Carta Verde e SOAPEX são o mesmo seguro

Esse erro pode acontecer principalmente em viagens mais longas pela América do Sul.

Imagine que você saia do Brasil, atravesse a Argentina e depois siga para o Chile. Como já providenciou um seguro para circular em território argentino, pode surgir a impressão de que ele continuará sendo suficiente durante todo o roteiro.

Não funciona dessa forma.

Carta Verde e SOAPEX são seguros diferentes.

Para entrar no Chile com um veículo estrangeiro, é necessário observar as regras locais, entre elas a contratação do seguro SOAPEX.

As próprias coberturas são diferentes.

No Carta Verde comercializado pela Real Seguro Viagem, por exemplo, há cobertura para danos pessoais e morte causados a terceiros de até US$ 40 mil por pessoa, limitada a US$ 200 mil por evento. Para danos materiais a terceiros, são até US$ 20 mil, com limite de US$ 40 mil por evento.

Já o SOAPEX possui coberturas relacionadas a morte acidental, invalidez permanente e despesas médico-hospitalares decorrentes de acidentes envolvendo o veículo segurado.

Por isso, antes de viajar, faça uma lista de todos os países pelos quais o veículo passará e verifique individualmente as exigências de cada um.

3. Descobrir tarde demais que o carro está no nome de outra pessoa

Você sabe exatamente em nome de quem está registrado o veículo que será usado na viagem?

A pergunta parece óbvia, mas pode revelar um detalhe importante.

Há pessoas que utilizam diariamente um veículo registrado no nome do pai, da mãe, do cônjuge ou de outra pessoa. Enquanto o carro circula apenas no Brasil, essa situação pode passar despercebida no cotidiano.

Ao cruzar uma fronteira internacional, entretanto, a propriedade do veículo merece atenção.

Quando o automóvel pertence a um terceiro que não estará presente na viagem, pode ser necessário apresentar uma autorização para circulação no exterior.

O mesmo cuidado vale para veículos registrados em nome de empresas.

Portanto, antes de pensar nas malas, verifique a documentação do automóvel e providencie antecipadamente as autorizações necessárias.

4. Esquecer que um veículo financiado também pode exigir autorização

Outro cenário que merece atenção envolve veículos financiados.

Dependendo da situação, o viajante poderá precisar de autorização do proprietário ou financiador para circular no exterior.

Esse é justamente o tipo de burocracia que não deve ser resolvida na última hora.

Entre em contato antecipadamente com a instituição responsável, confirme o procedimento e verifique quanto tempo será necessário para obter a documentação.

Uma road trip internacional pode ser planejada durante meses. Não vale correr o risco de comprometer todo o roteiro por uma autorização que poderia ter sido providenciada antes.

5. Comprar o seguro com as datas erradas

Reservas de hotéis podem ser alteradas. Restaurantes podem ser trocados. Até parte do roteiro pode mudar.

Alguns documentos, entretanto, exigem mais atenção.

No caso dos seguros Carta Verde e SOAPEX comercializados pela Real Seguro Viagem, a emissão ocorre em até 24 horas úteis, embora a empresa informe que normalmente consegue realizar o processo antes. Depois da emissão, a apólice é enviada pelo WhatsApp.

Existe, porém, um detalhe importante: depois de emitidos, esses seguros não podem ser cancelados nem ter suas datas alteradas.

Isso torna a conferência das informações uma etapa essencial.

Antes de concluir a contratação, confira o período da viagem, os dados pessoais, as informações do veículo e demais informações solicitadas.

Se você ainda não definiu exatamente quando atravessará determinada fronteira, finalize primeiro o roteiro para depois contratar o seguro correspondente.

6. Fazer revisão no carro e esquecer do estepe

Antes de uma viagem de milhares de quilômetros, muita gente leva o veículo à oficina.

Óleo conferido, pneus calibrados, freios revisados e tudo aparentemente pronto.

Mas e o estepe?

Ele pode permanecer anos guardado sem ser utilizado. Quando finalmente surge uma emergência, o motorista descobre que o pneu está murcho, deteriorado ou inadequado para uso.

Além do estepe, vale conferir as ferramentas necessárias para uma eventual troca de pneu e pesquisar quais equipamentos de segurança são exigidos nos países que fazem parte do roteiro.

Também é importante verificar:

  • estado e calibragem dos pneus;
  • sistema de freios;
  • bateria;
  • faróis e lanternas;
  • fluidos;
  • sistema de arrefecimento;
  • limpadores de para-brisa;
  • suspensão.

Se houver qualquer manutenção prevista para uma data próxima à viagem, pode ser interessante antecipá-la.

7. Depender completamente do celular e da internet

Hoje praticamente toda viagem está dentro do smartphone.

Mapa, reserva do hotel, endereço do restaurante, documentos, banco, tradutor, contatos e até cartões podem estar concentrados em um único aparelho.

Isso funciona perfeitamente até o momento em que você entra em uma região sem sinal, a bateria acaba ou alguma coisa acontece com o celular.

Uma viagem internacional de carro pode passar por regiões afastadas dos grandes centros, onde a cobertura de internet móvel não é garantida.

Por isso, tenha alternativas.

Faça download dos mapas para acesso offline, mantenha carregadores no veículo e considere utilizar uma bateria portátil.

Documentos importantes também merecem atenção especial.

Organize cópias digitais em um local acessível e verifique quais documentos precisam estar disponíveis fisicamente durante a viagem.

Bônus: não saber como funcionam os pedágios do destino

Outro detalhe que pode surpreender brasileiros são os pedágios.

A forma de cobrança, os meios de pagamento disponíveis e até a estrutura das rodovias podem mudar de um país para outro.

Antes de entrar na estrada, pesquise como funcionam os pedágios das principais rotas utilizadas.

Faça o mesmo com estacionamentos, abastecimento e regras para circulação dentro das cidades.

Isso ajuda tanto na organização financeira quanto na definição do roteiro.

Bônus: não considerar a altitude do trajeto

Quem pretende seguir em direção ao Chile pode encontrar trajetos bastante diferentes daqueles percorridos normalmente no Brasil.

Dependendo da rota escolhida, haverá regiões de grande altitude e condições climáticas que podem variar rapidamente.

Por isso, não considere apenas a quantidade de quilômetros entre duas cidades.

Pesquise as características da estrada, a previsão do tempo, os locais disponíveis para parada e eventuais restrições existentes no período da viagem.

Em regiões montanhosas, o tempo necessário para percorrer determinada distância pode ser bem diferente daquele indicado inicialmente por uma simples conta de quilômetros por hora.

Faça um checklist alguns dias antes da saída

Uma boa estratégia é realizar uma conferência final quando ainda houver tempo para corrigir qualquer pendência.

Separe documentos pessoais, documentação do veículo, autorizações necessárias e seguros relacionados aos países visitados.

Confira também reservas, meios de pagamento, contatos de emergência, condições do veículo e endereço das primeiras hospedagens.

Caso viaje de moto, motorhome ou com reboque, faça uma pesquisa específica para sua situação. As exigências podem não ser exatamente as mesmas aplicáveis a um carro convencional.

Quanto antes você descobrir um problema, mais fácil será resolvê-lo

Grande parte dos problemas de uma viagem internacional de carro pode ser evitada ainda em casa.

Descobrir que o veículo precisa de uma autorização uma semana antes da partida é inconveniente. Descobrir isso durante o deslocamento ou próximo da fronteira pode ser muito mais complicado.

O mesmo raciocínio vale para seguros, documentação, manutenção e planejamento das rotas.

Por isso, organize a viagem considerando cada país separadamente. Se Argentina, Paraguai ou Uruguai estiverem no percurso, verifique as exigências relacionadas ao Carta Verde. Se o roteiro chegar ao Chile, pesquise também as regras do SOAPEX.

Quanto mais questões forem resolvidas antes de ligar o carro, mais espaço haverá para aproveitar o que realmente interessa: a experiência de viajar, conhecer novos destinos e curtir cada etapa da estrada.

* Conteúdo desenvolvido pela jornalista Daiane de Souza (0007147/SC).

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