Você já se pegou olhando aquelas imagens de maratonistas cruzando a linha de chegada, suados e emocionados, e pensou que aquilo parecia de outro mundo. É comum achar que só atletas de elite conseguem correr uma maratona, mas a história por trás dessa prova começa de um jeito bem mais simples — e até trágico.

Dois mil e quinhentos anos atrás, um soldado grego chamado Fidípides correu da planície de Maratona até Atenas para anunciar a vitória sobre os persas. Ele não era um atleta profissional. Era um mensageiro, alguém que corria porque precisava. Ao cumprir a missão, segundo a lenda, caiu morto de exaustão. Essa imagem ficou gravada no imaginário coletivo como símbolo de esforço extremo, e até hoje carrega uma aura quase mítica.

Mas a maratona moderna é diferente daquela corrida antiga. Ela foi recriada como evento esportivo, ganhou regras, distância oficial e se espalhou pelo mundo. Ainda assusta muita gente — e ao mesmo tempo atrai milhões de pessoas que descobrem, aos poucos, que é possível fazer parte dessa história.

  • Maratona é uma corrida de longa distância com percurso oficial de 42,195 km.
  • A prova foi inspirada na lenda do soldado grego Fidípides, que correu de Maratona a Atenas em 490 a.C.
  • A maratona faz parte das Olimpíadas desde a edição moderna de 1896, para homens, e desde 1984, para mulheres.
  • Os recordes mundiais atuais são de 2h00min35s (Eliud Kipchoge) no masculino e 2h11min53s (Tigst Assefa) no feminino.
  • Centenas de maratonas são realizadas anualmente, com participação massiva de corredores amadores.
  • Por que a distância é tão exata — 42 quilômetros e 195 metros? E o que a família real britânica tem a ver com isso?
  • O que fez a maratona sair do mito grego para se tornar um dos maiores eventos esportivos do planeta?
  • Como alguém que nunca correu na vida pode começar a se preparar para encarar uma maratona?
  • Quais são as principais provas no Brasil e no mundo — e por que elas lotam de inscritos todos os anos?

Muito além dos 42 quilômetros: a história que você não conhece

Por trás do número 42,195 km existe uma decisão que mistura esporte, monarquia e comodidade urbana. A distância não foi pensada por cientistas do esporte nem por um comitê olímpico. Ela surgiu de um ajuste quase improvisado, feito em 1908, durante os Jogos de Londres. Até então, o percurso variava de prova para prova — geralmente em torno de 40 km. Mas naquele ano, a família real pediu que a largada fosse no Castelo de Windsor e a chegada em frente ao camarote real no estádio. Mediram o trajeto: 42 km e 195 metros. Assim nasceu a medida que viraria padrão mundial.

Imagine a cena: os corredores da época não tinham tênis com tecnologia, não usavam relógio GPS, e a hidratação era rudimentar. Mesmo assim, aquele dia moldou o futuro das corridas de rua. E não foi só a distância que pegou — a prova caiu no gosto do público, porque unia drama, resistência e a eterna tentativa humana de superar limites.

É a única prova olímpica cuja distância oficial não é um número redondo — e a razão disso está numa adaptação de percurso feita para agradar a realeza, não os atletas.

O que é uma maratona?

Corredores em uma maratona urbana com muitos participantes ao fundo.
Na largada da maratona, centenas de corredores tomam as ruas da cidade.

A maratona é uma corrida de longa distância disputada em ruas e avenidas, com percurso oficial de 42 quilômetros e 195 metros. Diferente das provas de pista do atletismo, ela acontece em ambiente urbano, com largadas e chegadas planejadas para envolver multidões. É considerada uma prova de resistência que exige preparo físico e mental, mas não é exclusiva para atletas de elite — milhares de amadores completam maratonas todos os anos, muitas vezes caminhando em alguns trechos.

1. A distância oficial: 42,195 km

Placa de quilometragem 42 km em uma corrida de rua, com corredores ao fundo.
Placa indicando os 42 km de uma maratona, marco final da prova.

Os 42,195 km não são um número qualquer. Eles vêm da maratona dos Jogos Olímpicos de Londres, em 1908. Antes disso, a distância variava conforme a cidade-sede dos Jogos, geralmente ficando perto dos 40 km — a distância aproximada entre Maratona e Atenas. A organização londrina estendeu o percurso para que a largada fosse no Castelo de Windsor e a chegada diante do camarote real, e essa medida acabou sendo adotada pela Federação Internacional de Atletismo em 1921. Desde então, essa é a distância oficial em qualquer maratona homologada no mundo.

2. A origem na Grécia Antiga

A história remonta a 490 a.C., quando os atenienses venceram os persas na Batalha de Maratona. Conta a lenda que Fidípides, um mensageiro, foi enviado a Atenas para levar a notícia e, após correr sem parar, anunciou “vencemos” e morreu de exaustão. Historiadores discutem se o relato é literal ou uma construção mitológica, mas o simbolismo da corrida de Fidípides inspirou a criação da maratona como evento esportivo nos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, em Atenas 1896.

A maratona como prova olímpica

Desde a primeira edição dos Jogos Olímpicos modernos, a maratona é um dos eventos centrais. Em 1896, ela foi disputada por homens, e a prova feminina só entrou no programa olímpico em 1984, em Los Angeles. O percurso olímpico costuma ser planejado para cruzar pontos históricos da cidade-sede e terminar dentro do estádio principal, o que torna a chegada um momento de grande carga emocional. A corrida olímpica exige classificação com índices técnicos rigorosos, mas a maioria das maratonas ao redor do mundo é aberta a qualquer pessoa que complete a inscrição.

Recordes mundiais impressionantes

1. Recorde masculino: Eliud Kipchoge (2h00min35s)

O queniano Eliud Kipchoge detém o recorde mundial masculino desde 2022, com o tempo de 2 horas e 35 segundos na Maratona de Berlim. Em 2019, ele já havia corrido a distância em menos de duas horas durante um evento não oficial, o que mostra o nível de evolução física e tecnológica da prova. Para se ter uma ideia, isso significa correr cada quilômetro a uma velocidade média de 2 minutos e 52 segundos.

2. Recorde feminino: Tigst Assefa (2h11min53s)

A etíope Tigst Assefa estabeleceu o recorde feminino em 2023, também em Berlim, com 2 horas, 11 minutos e 53 segundos. É uma marca que reduziu em mais de dois minutos o recorde anterior e demonstra como o alto rendimento feminino tem evoluído rapidamente, impulsionado por novos métodos de treino e por calçados com tecnologia de placa de carbono.

Perguntas frequentes sobre maratonas

1. Qual a origem verdadeira? Lenda ou fato?

A versão mais difundida é a lenda de Fidípides, mas historiadores apontam que ele teria corrido de Atenas a Esparta (cerca de 240 km) para pedir ajuda antes da batalha, e não de Maratona a Atenas após o confronto. A narrativa que conhecemos foi registrada por escritores séculos depois e ganhou força no século XIX, quando se buscava um símbolo heroico para os Jogos Olímpicos. Verdade literal ou não, o mito funcionou e deu alma à prova.

2. É possível um amador completar uma maratona?

Completamente. A imensa maioria dos participantes de uma maratona não são atletas de elite. São pessoas comuns que seguem um plano de treino progressivo, respeitam os limites do corpo e vão até o fim, mesmo que isso signifique caminhar em alguns momentos. As provas costumam ter um tempo limite generoso — em geral, de 5 a 7 horas, dependendo do evento —, o que permite que muitos cruzem a linha de chegada no próprio ritmo.

Quando comecei a correr, a palavra maratona soava como sentença. Parecia uma daquelas coisas que só existem na televisão, sabe? Depois, fui percebendo que o medo era maior que a distância. Conheci pessoas que nunca tinham corrido na vida e, em um ano, estavam com a medalha no peito. Claro que não é simples, mas também não é aquele bicho de sete cabeças que pintam por aí. O segredo — e não gosto dessa palavra — está mais na paciência do dia a dia do que em algum tipo de talento natural.

A verdade por trás da lenda de Fidípides

O que torna a lenda de Fidípides tão poderosa é que ela mistura fato e fantasia de um jeito que mexe com a gente. Heródoto, o historiador grego, conta que Fidípides foi enviado de Atenas a Esparta e percorreu cerca de 240 km em dois dias. Só mais tarde, autores como Plutarco e Luciano acrescentaram a corrida de Maratona a Atenas e a morte heroica. A imagem do herói que se sacrifica pelo coletivo é uma construção que serviu como propaganda em várias épocas, inclusive para justificar a criação de um evento que celebrasse o esforço humano.

Como a maratona se tornou um fenômeno global

Nos primeiros anos do século XX, a maratona ainda era uma prova restrita, quase um capricho olímpico. A virada veio com a popularização da corrida de rua nos Estados Unidos, nos anos 1970, quando médicos como Kenneth Cooper começaram a recomendar exercícios aeróbicos para a saúde. As pessoas saíram das pistas e foram para as ruas. Grandes maratonas urbanas, como as de Nova York e Boston, passaram a atrair multidões. A mídia mostrou que qualquer um podia participar, e o efeito foi viral — bem antes da internet.

Equipamento moderno: o papel dos tênis com placa de carbono

Hoje, quando a gente vê um recorde sendo quebrado, é quase certo que o calçado tem uma placa de carbono no solado. Essa tecnologia surgiu para dar mais retorno de energia a cada passada, e virou o padrão entre os corredores de elite. Não significa que o tênis corra sozinho — o treino ainda é o que mais conta —, mas a melhora é real: estudos indicam que a economia de corrida melhora cerca de 4% com esses modelos, o que pode representar minutos preciosos numa prova de 42 km. Para o amador, o benefício talvez seja menor, mas ajuda na recuperação muscular.

Preparação para sua primeira maratona

Treinamento gradual: do zero aos 42 km

Não é preciso sair correndo 20 km na primeira semana. O corpo precisa de meses para se adaptar. Um plano comum prevê três a quatro treinos semanais, combinando tiros curtos, rodagens em ritmo confortável e um treino longo progressivo — aquele que vai aumentando aos poucos, de 10 a 30 km ou mais. A fase de base pode durar seis meses ou mais, dependendo do ponto de partida. A chave é a consistência, não a velocidade.

Nutrição e hidratação durante a prova

Comer e beber do jeito certo faz diferença da metade para o fim da maratona. O corpo queima uma quantidade enorme de energia, e a reposição de carboidratos durante a corrida evita o temido “muro” — aquela sensação de que as pernas simplesmente param. Géis energéticos e bananas são os mais usados. A hidratação deve ser constante, mas sem exageros: o excesso de água pode diluir o sódio no sangue e causar hiponatremia. Por isso, postos de hidratação também oferecem bebidas esportivas com eletrólitos.

Estrutura de apoio: postos e equipe médica

Toda grande maratona monta uma operação logística que impressiona. A cada 2 km, mais ou menos, há mesas com água e, a cada 5 km, isotônicos. Banheiros químicos são espalhados pelo percurso, e equipes médicas ficam de prontidão para atender desde bolhas até desmaios. Fisioterapeutas voluntários fazem massagens rápidas em pontos estratégicos. Essa rede de apoio é o que torna possível que milhares de corredores, com diferentes níveis de preparo, cheguem ao fim.

As principais maratonas do Brasil e do mundo

Maratona de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre

No Brasil, a Maratona de São Paulo é a maior, com milhares de participantes e percurso relativamente plano, o que a torna uma boa pedida para quem busca recordes pessoais. A do Rio de Janeiro é famosa pelo cenário deslumbrante, com largada no Pontal, passagem pela orla e chegada no Aterro do Flamengo — mas o calor carioca pode jogar contra. Já a Maratona Internacional de Porto Alegre é mais compacta, com clima ameno e organização que agrada corredores experientes. Cada uma tem seu tempero, e a escolha depende do que você valoriza: tempo, paisagem ou logística.

As maiores do mundo: Boston, Londres, Berlim

Falar de maratonas mundiais é lembrar de Boston, a mais antiga do mundo, que exige índice de classificação por idade e atrai atletas de alto nível. Londres é conhecida pelo percurso que passa por pontos turísticos e pela enorme festa nas ruas. Berlim é a prova dos recordes: foi lá que Kipchoge e Assefa escreveram seus nomes na história. Essas seis — junto com Tóquio, Chicago e Nova York — formam o World Marathon Majors, uma série cobiçada por qualquer maratonista.

Superando objeções comuns: ‘É muito difícil’, ‘Só profissionais’

Essas frases aparecem por puro desconhecimento. É difícil, sim, mas não impossível. A diferença é que muitos completam a prova sem nunca terem pisado numa pista de atletismo na vida. O tempo de corte de 6 ou 7 horas significa que dá para correr e caminhar alternadamente e ainda terminar. Quanto a “só profissionais” — basta olhar as estatísticas da Maratona de São Paulo: cerca de 80% dos inscritos são amadores, muitos estreantes. A maratona, hoje, é um evento muito mais democrático do que se imagina.

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O primeiro passo para os 42 km

Dicas de Ouro · Curadoria Especial

  • 01A Escolha Certa: Se está começando, opte por uma maratona de percurso plano e com clima ameno, como a de São Paulo. Prova com muitas subidas ou calor intenso complica demais a primeira experiência.
  • 02Ponto de Atenção: O erro mais comum no treino para maratona é aumentar a quilometragem semanal rápido demais. Ganho de 10% por semana já é suficiente. Tendinite e canelite avisam quando se passou do limite — e obrigam a parar tudo.
  • 03Na Prática: Hoje mesmo, calce um tênis confortável e caminhe por 30 minutos. Repita três vezes nesta semana. Parece pouco, mas é assim que se constrói a base para, daqui a alguns meses, encarar um treino mais longo sem sofrimento.

O que quase ninguém conta é que o grande desafio da maratona não está nas pernas, está na cabeça. A fadiga mental costuma aparecer bem antes do esgotamento físico, e é justamente ali, quando a voz interna diz “não dá mais”, que se prova se o treino foi bem feito — porque o corpo obedece muito mais ao que a mente acredita ser possível.

Se você chegou até aqui, já sabe que a maratona não é um monstro de 42 km reservado a poucos. É uma prova que cabe no calendário de quem tem paciência e disposição. Cada um faz no seu ritmo, e o grande mérito está em continuar, não em chegar na frente.

Agora é botar o tênis no pé e dar a primeira passada. Comece com pouco, repita com gosto e, quando menos esperar, vai estar contando os dias para o grande dia.

O que pouca gente sabe: Durante a maratona, o corpo queima, em média, 2.600 calorias. Isso equivale a cerca de quatro pratos de feijoada completos. É um dos poucos momentos em que se pode comer muito depois sem culpa nenhuma.

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Oi, oi! Sou a Bella (Isabella), curadora de estilo, revisora e redatora web com vasta experiência na curadoria e revisão de textos para blogs e publicações acadêmicas. Atuo como coordenadora de conteúdo sazonal e sou a voz principal por trás das verticais de Decoração, Família, Artesanato, Infantil, Horta e Jardim, Receitas, Esportes e Frases e Mensagens. Com um olhar apurado para os detalhes, meu foco é unir estética e conteúdo para entregar informações claras, úteis e inspiradoras para os leitores.